No Rio de Janeiro, já é mais do que costume marcar uma festa, reunião, evento ou compromisso considerando que os convidados ou envolvidos chegarão um pouco depois. Nem adianta tentar ser sincero no horário. Raras as ocasiões, principalmente se envolvem muitas pessoas, em que todos serão pontuais como os britânicos. A tal pontualidade britânica é realmente famosa e pude constatar a veracidade em várias situações. Fiquei irritada no começo, mas depois comecei a perceber que é realmente o mais correto, um sinal de respeito e facilita muito mais do que complica.
Meu trem para Londres saia de Bruxelas às 8h05 e no bilhete havia uma recomendação para chegar com meia hora de antecedência para um check-in. Chegamos (eu e minha amiga Carol) na estação por volta das 7h50, mas com a certeza de que não iria ter problemas. Afinal, o trem só sairia às 8h05. Porém, o guichê estava vazio. Mesmo assim, inocente, perguntei para a atendente como fazia para embarcar. Não tinha jeito, o check-in já tinha terminado, não existia “jeitinho” nenhum de quebrar o galho da gente, acelerar qualquer procedimento padrão e nos colocar no trem. A única possibilidade era esperar o próximo às 9h05 (pelo menos, não precisamos pagar pela mudança)
Lição supostamente aprendida, logo que cheguei a Londres fiquei simplesmente encantada pela cidade. Tivemos que fazer alguns ajustes em nosso roteiro e fomos para Westminster Abbey (onde o príncipe William se casou com a Kate). As portas estavam fechadas, chegamos 15 minutos depois do começo da última visita. Não tem atraso, nem os conhecidos 15 minutos de tolerância. Tudo bem, voltamos no dia seguinte. Porém, era sábado e o local fechava mais cedo. Mais uma vez, chegamos um pouco depois do horário limite. Só nos restou assistir um pouco a chuva que caia e tirar mais fotos do jardim. No mesmo dia, não ouvimos o despertador e acordamos mais tarde do planejado. O horário do café da manhã já tinha terminado e nada de agradar os gringos, não tinha jeito e nada para comer. Saímos do hotel e fomos encontrar minha amiga Maite o o host dela, Alex, na feira de Notting Hill. Combinamos que chegaríamos às 8h30, mas só chegamos uma hora depois. Sim, Alex é britânico e a pontualidade era seu forte para nosso constrangimento.
Posso dizer que a sorte não estava a meu favor em Londres. Após vários imprevistos, alguns constrangimentos e problemas de orientação (como entrava nas ruas erradas, mesmo com um mapa!) fiquei completamente apaixonada pela cidade e muito feliz em compartilhar tantos momentos divertidos e especiais com Maite e Carol (e extremamente agradecida pela hospitalidade e ajuda do Alex!). A sensação de que tudo funciona bem e é extremamente organizado é consequência da tão famosa pontualidade britânica. Sim, dá certo. Talvez, por isso, o Big Ben seja um dos principais símbolos da cidade e tanta gente acredite que ele é um relógio (mas não, é um sino!).
Campanha do dia: Não se atrase, chegue no horário marcado. A pontualidade britânica faz mais bem do que você imagina.




